quinta-feira, 12 de agosto de 2010

No guts no glory

"Robin Hood" sempre foi um dos meus clássicos favoritos. Daqueles que te fazem refletir sobre algum aspecto da sua vida, e idealizar algo mais que apenas ir à escola ou sair com os amigos. Mas o interessante nisso é que o motivo de eu gostar tanto de uma história folclórica como essa não é a razão tradicional - a de que o Robin rouba dos ricos para dar aos pobres  - e sim um aspecto que fica meio escondido ou negligenciado por leitores desatentos. A minha questão favorita apresentada nas várias versões de "Robin Hood" dilema do "bom ladrão", e sim o da "busca pela glória".
Robin de Locksley originalmente era um nobre que lutava nas cruzados ao lado do rei Ricardo Coração de Leão. Tinha abandonado a Inglaterra e sua nova lady Marian, além do feudo, para lutar por um ideal de realização maior: a fé cristã, a defesa da pátria, o que seja a máscara da cruzada dos reis. Ele volta para a Inglaterra e vê que seu feudo foi tomado por sir Guy, que além de tudo é apaixonado por Marian, que por sua vez está ressentida pelo abandono do ex-noivo.

Essa é a sinopse do seriado da BBC que eu tanto gosto e que para mim, é a melhor versão de todos os Tempos dessa lenda. Melhor até que o último filme que lançou, embora ele tenha mostrado um outro lado desprezado e importante da história de "Robin Hood": a Magna Carta e a luta pelos direitos constitucionais.
Assim, "Robin Hood" de forma geral, representa para mim, dois aspectos de uma ideologia que persegue meus argumentos em muitos setores da minha vida privada:
1 -  a luta por direitos que estejam acima do soberano - liberdade
2 - a busca pela glória e o sacrifício da vida pessoal
Apesar de Robin pronunciar diversas vezes os direitos da Inglaterra e lutar por um bem maior, parte dessa luta mostra uma característica essencialmente egoísta do nosso herói (um quê de antiheroismo em uma alma consagrada): o desejo de ser amado. Sim, pois Robin não luta apenas pelos direitos da Inglaterra, mas pela vontade de não ser apenas mais um homem ordinário. Ele não só quer atingir a glória, mas como despreza ser mais um na multidão. E é por isso, que na realidade, ele até sente orgulho de ser um fora da lei: ele quer os aplausos e os holofotes. E é por isso que Marian fica tão indignada. Pois se fosse apenas os direitos da Inglaterra, talvez ela suportasse melhor todas as noites que eles estiveram separadas. Mas nunca existe apenas um motivo, não é? O que nos leva a um dilema crucial: vale a pena desistir do amor da sua vida - supondo que isso existe - por um ideal maior? Ou pela glória em si? Lembrando que pessoas traem, mentem e magoam, Robin Hood não precisa se envolver emocionalmente com nenhuma delas para ajudá-las. Ele rouba o dinheiro, ele o distribui, mas a única pessoa com que ele se envolve na história inteira - do seriado - é uma que a princípio quer se afastar, mas depois passa a lutar do lado dele em busca da salvação da nação (ela atua como vigilante noturno - sensacional, até mesmo para as feministas de plantão).
Entretanto, é muito difícil encontrar uma pessoa assim na vida real.
Nem todos tem essa sorte, 

[spoiler]
ou azar, Marian morre no final. [/spoiler]

É preciso ter coragem
para encarar os obstáculos
e para sacrificar algo em prol de um ideal maior

PS: Lembrando que esse dilema também é tratado em "Tróia" em um diálogo de Aquiles com a mãe, quando ela diz "se ficar aqui, casará com uma boa esposa e terá família, será lembrado por seus filhos e pelos filhos deles, mas só. Se for à Roma, seu nome será reconhecido em toda a Grécia e até muito depois, entretanto não voltará e não o verei de novo"... e o que foi que ele escolheu? tcharam

PS[2] quem quiser, pode encontrar o download dos episódios na internet, ou no site da BBC séries :)

Um comentário:

  1. Mas a dúvida que fica é, porque a mulher não foi atrás dele.

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