quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Duas de mim

Em um dos volumes das crônicas de Artur(Bernard Cornwell), Guinevere descreve seu esposo para Derfel, o fiel escudeiro, como alguém que é guiado por uma carroça de dois cavalos. Ela diz que um deles represente sua enorme bondade e outro sua grande ambição. Esse é um dos meus trechos favoritos de todos os três livros da série, porque eu me identifico bastante com ele. O rei Artur sempre foi um dos meus personagens favoritos, embora eu não soubesse tanto a respeito(a traição de Guinevere foi um dos fatos que mais me chocaram) antes de ler a saga. E a descrição que ela fez cabe a bastante a minha própria pessoa. E eu me identifico muito com Guinevere também, menos na parte do adultério. E então vem o porque: acho que existe duas, se não muitas, de mim. E digo isso porque me conheço a nada mais nada menos que vinte anos! Mas será que me conheço mesmo? Às vezes sinto que quero abraçar o mundo, ajudar as pessoas, chegar até cada coração abandonado e dizer "I've been there", ou "você vai superar" e então dar a mão a quem precisa mesmo. Mas, outras vezes, como para se compensar (como se bondade fosse algo errado, uma espécie de violação de comportamente), tenho impulsos malignos de mandar todos para aquele lugar e de fazer maldades. E como eu sou egoísta nessas horas! Ambição, ambição, ambição. Não por dinheiro, que não me faz falta em noventa por cento das horas. Mas sempre o poder! Sabe, aquelas artimanhas de influenciar pessoas e fazer "amigos"? Sempre gostei disso. Uma pessoa a mais, ponto para mim no placar. E então, eu esqueço que elas não são brinquedinhos. Como quando eu quero que alguém arraste a carteira na sala de aula para mim e faço aquela carinha. Como personalidades tão diferentes podem conviver, eu não sei. Só sei que elas existem. E surgem como impulsos, que algumas vezes não consigo controlar.

Adivinha só meu personagem preferido do Batman, depois do Coringa e da Mulher-Gato, é claro.

6 comentários:

  1. duas caras?
    não tá aparecendo que você atualizou o blog Oo

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  2. Pela pergunta enigmática deve ser o Charada...

    Aliás,a traição foi muito mais pelo Lancelot.

    E terceiro, maldade e bondade são conceitos relativos e humanos, não existem coisas boas e ruins para os deuses, elas apenas existem.

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  3. Comentador Fiel, você também acha que o destino é inexorável?

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  4. Nossa, tô querendo ler essa série do Bernard Cornwell!

    Penso da mesma maneira, como você disse uma vez, nos parecemos demais! Acabo levando a vida como se fosse um jogo, e as pessoas, como se fossem brinquedinhos.

    E qual seu personagem preferido? charada? haha
    Tb tem essa de sempre torcer pelos vilões?
    Mas coringa me leva ao delírio! haha :]
    Beijo.

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  5. N'O Lobo da Estepe fala-se muito disso, a unidade da personalidade é uma ilusão, todo mundo é um monte de coisas, pq na verdade não somos nada. Todo ser humano é possibilidade.

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